terça-feira, 30 de outubro de 2012

Transgredir com Arte

             Descobrir e compreender o clown como um artista que existe em cada pessoa e emprestar-lhe a vida é um ato de persistência, desprendimento e muita coragem, pois o clown mostra que além de outras condições humanas, existe uma que evitamos revelar, a do fracasso. As pessoas adoram rir do fracasso do outro, assim Bergson (1983) já dizia.
Construir o aprendizado da capacidade cômica exige o rompimento de um conhecimento cristalizado, solidificado na inteligência, na esperteza, no sucesso, mostrando um outro ponto de vista social, estético e cultural ao avesso, transgredindo, com arte, valores preestabelecidos pela sociedade (Ostetto; Leite, 2004, p.11), a área artística “tem a transgressão como mola propulsora de sua construção”.

Transgredir é burlar o conhecimento como forma de encontrar a si mesmo como um ser risível, como possibilidade, na arte clownesca, da renovação cômica do conhecimento, sem limites atravessando o outro lado do espelho, a outra margem do rio, virando o outro lado da moeda, encontrando o coração corajoso e forte daqueles que dedicam as suas vidas a criar personagens cômicos que desde os primórdios tem como objetivo inverter a ordem pré-estabelecida construindo uma “capacidade de parodiar” e de rir das situações humanas. Larrosa (2001, p.178) nos diz:
“Os personagens cômicos são seres que não estão implicados, que não entendem, que não participam, que estão sempre por fora, a uma certa distância do que acontece. Mas são capazes, sobretudo o pícaro, de tudo parodiar, de ocupar qualquer palavra direta, de reproduzir parodicamente, quando faz falta qualquer tipo de patetismo... O idiota simplório, esse bobo de que todos se riem e que não é tão tolo quanto parece, isola e distancia a convencionalidade da linguagem elevada, simplesmente não a entendendo, ou entendendo ao contrário, mas provocando sempre distância entre a linguagem e a situação comunicativa... desnaturaliza as linguagens elevadas ao invertê-las.”
Assim, o riso provocado na platéia pelo clown, mostra a realidade a partir de outro ponto de vista. Esta seria a função do desmascaramento do convencionalismo: desenha-o com apenas um traço e o coloca a distância. O riso questiona os hábitos e os lugares comuns da linguagem. Em qualquer época, em qualquer lugar, Larrosa (2001) explica que o riso transporta a suspeita de que toda linguagem direta é falsa, de que toda vestimenta, inclusive toda a pele, é máscara e, somente com o riso é que podemos, como disse Bakhtin (1987, p. 57): “ ter acesso a certos aspectos extremamente importantes do mundo.”

Texto completo, por Ana Wuo: ftp://ftp.usjt.br/pub/revint/57_56.pdf

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ser Clown...

A iniciação de clown se reduz, em suma, à experiência de morte e renascimento. Desformar um corpo para dar vida a outro, o corpo clownesco. Uma experiência paradoxal, sobrenatural, de morte e ressurreição, o segundo nascimento. Esse prelúdio equivale ao amadurecimento espiritual e, em toda a história religiosa da humanidade, reencontramos sempre este tema: o iniciado, aquele que conheceu os mistérios, é aquele que sabe.
Na iniciação de clown, o mesmo acontece: durante aquele período em que o aprendiz está dentro do processo, pode tornar-se o outro quem não sabemos quem é, mas que o processo em si estimula essa crença de uma nova existência. Ele transforma os valores da existência.
O processo iniciático equivale a uma mutação ontológica do regime existencial. No final das provas, o neófito goza uma outra existência após a iniciação: ele é de novo um outro. A iniciação introduz o neófito na comunidade humana e no mundo de valores espirituais. Nos estágios arcaicos da cultura, a iniciação desempenha um papel capital na formação religiosa do homem e, sobretudo, consiste numa mudança de regime ontológico do neófito.
Texto: Ana Wuo

domingo, 28 de outubro de 2012

O CLOWN VISITADOR

O Centro Infantil Boldrini foi o picadeiro do grande espetáculo da Ana Wuo, conhecida como Dolores Dolarria, Ao adentrar no hospital, seu semblante espalhafatoso de palhaço a todos contagiava. Num passe de mágica, os sorrisos iam se abrindo, as lágrimas se escondiam lentamente, dando lugar a um brilho sem limites nos pequenos olhos das crianças e adolescentes que lá estavam para a longa luta contra o câncer. O conviver com a dor, doenças e algumas vezes com a morte de crianças, evoca profundos sentimentos de reflexão sobre a vida.
Silvia Brandalise - Diretora do Centro Infantil Boldrini;

Este livro destina-se a professores, pesquisadores e estudantes das áreas de teoria teatral, pedagogia do teatro, performance, profissionais da saúde e lazer. Trata-se de uma pesquisa empírica abordando a arte do clown junto a crianças hospitalizadas, visando buscar a veia cômica desses pacientes por meio de sua iniciação no campo do risível, como forma de favorecer a otimização das terapias aplicadas a eles, contemplando a análise acerca do estado da arte pertinente ao tema. Arão Nogueira Paranaguá de Santana - Universidade Federal do Maranhão;

Os livros publicados no Brasil sobre o tema da arte do clown em ambiente hospitalar são geralmente focados na experiência pioneira dos “doutores da alegria” e são referências em diversos cursos de formação em teatro, psicologia e enfermagem. O texto de Ana Wuo apresenta outra abordagem da relação entre palhaçaria e o ambiente hospitalar em toda sua complexidade. Ao acionar a figura do “clown visitador” e não do “doutor palhaço”, a autora investiga outro modo de operar nesse espaço e novas formas de integração com ele. Este livro possibilita aos alunos e pesquisadores das áreas artísticas e de saúde o contato com uma pesquisa de fôlego, desenvolvida dentro do ambiente hospitalar, unindo arte, lazer e saúde no tratamento de crianças hospitalizadas.Narciso Telles - Universidade Federal de Uberlândia.

Compras e informações: Universidade Federal de Uberlândia:vendas@edufu.ufu.br
Ou no link: O Clown Visitador


Limpadores de vidro se vestem de super heróis em hospital infantil

 HUMANIZAÇÃO
 
 
 
 
Jordan Emerson, Steve Oszaniec e Danny Oszaniec levaram mais alegria para as crianças internadas no Le Bonheur Children’s Hospital, em Memphis (EUA). Os três limpadores de vidro do American National Skyline se vestiram como super heróis da Marvel e surpreenderam os pacientes e suas famílias ao aparecerem nas janelas fantasiados, como mostra a foto acima.
 

SÁBADO NA COPAME

Dia 20 de outubro estivemos na COPAME, e para alegrar ainda mais a nossa Trupe, contamos com a estreia maravilhosa da Doutora Xuxa.
 
Seja bem vinda amiga! Espero que tenha gostado de fazer parte do nosso grupo!
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012


O clown..., palhaço em eterna comunhão com o mundo que o cerca, sempre pronto a responder à vida, com pureza e verdade; e disposto a vivenciar cada momento com toda a intensidade do seu ser.